Brasil

Conversas Cidadãs debate impactos da mineração: ‘A gente não sabe quando a nossa Chernobyl vai ser admitida’

O projeto Conversas Cidadãs, série de debates realizada pelo Goethe-Institut Porto Alegre em parceria com o Sul21, debateu na noite desta terça-feira (6) os impactos socioambientais de grandes projetos de mineração que estão em processo de licenciamento ambiental no Rio Grande do Sul.

O evento foi iniciado com a estreia de um mini documentário produzido pelo Sul21 sobre a mineração, resultado de reportagens realizadas nos últimos dois anos no Estado. O vídeo de 15 minutos mostra a mobilização de comunidades que serão atingidas pelos impactos de grandes projetos de mineração, no extremo sul do Estado e também na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Primeira palestrante do evento, Michele Ramos, integrante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), destacou em sua fala que o Rio Grande do Sul é uma “nova fronteira mineral” que está na mira da exploração de grandes grupos mineradores nacionais e estrangeiros. Ela afirmou que há, atualmente, 166 projetos de mineração em andamento, seja em fase de autorização de pesquisa ou de pedido de concessão de lavras. Desses, há quatro grandes projetos em processo de licenciamento ambiental: Caçapava do Sul (cobre, zinco e titânio), Lavras do Sul (rocha fosfáltica), São José do Norte (titânio) e na Região Metropolitana de Porto Alegre (carvão).

Contudo, o número de possíveis minas a serem exploradas no RS seria muito maior. Michele salientou que a Agência Nacional de Mineração aponta a existência de 22 mil áreas com potencial para serem exploradas pela mineração no Estado. “Tem quatro projetos em fase de licenciamento, mas todo o entorno já está mapeado para expansão futura”, afirmou.

Michele afirmou que o Rio Grande do Sul hoje não é um dos principais estados mineradores do País — a liderança em atividade de mineração hoje é do Pará, seguido por Minas Gerais, Bahia e Goiás, disse –, mas ponderou que esse cenário pode mudar a médio prazo. “O que ocorre é que esses estados já têm um nível de mineração consolidado, com as mineradoras extraindo em ritmo elevado. Nos próximos 15 ou 20 anos, podemos ter o RS como um dos principais estados mineradores do Brasil, ficando atrás apenas de Pará e Minas. Então, a situação é bastante preocupante”, disse.

A ativista chamou atenção para o fato de que a comunidade de São José do Norte, por exemplo, corre o risco de ver as economias agrícolas e da pesca artesanal prejudicadas com a instalação de uma mina à beira da Lagoa dos Patos. Da mesma forma, as cidades de Eldorado e Charqueadas, onde pretende se instalar uma mina de carvão em uma área de assentamento da reforma agrária e de pequenos produtores, pode sofrer perdas para a atividade agrícola que hoje é responsável por parte da produção que alimenta as feiras de hortifrutigranjeiros da Capital. “As comunidades estão em luta porque entendem que já tem um nível de organização econômica e cultural”, disse.

Na mesma linha, Juliana Mazurana, assessora programática da área de justiça socioambiental da Fundação Luterana de Diaconia, alertou que apenas os quatro projetos de mineração mais próximos de saírem do papel no RS já causarão um grande impacto ambiental e socioeconômico, especialmente no que diz respeito aos povos tradicionais.

Juliana destacou que a maior parte dos projetos de mineração está na área de preservação do Bioma Pampa e junto a nascentes de rios. Três dos projetos impactam diretamente a Lagoa dos Patos. Áreas de reserva de Mata Atlântica também serão afetadas. “Todos os projetos de mineração se sobrepõem a áreas prioritárias de conservação da biodiversidade”, afirmou.

Além disso, destacou que irá afetar povos e comunidades tradicionais que costumam contribuir para a preservação ambiental, uma vez que possuem sistemas de produção agrodiversos, têm preocupação com a conservação da água e o manejo sustentável dos ecossistemas, bem como geram renda a partir da biodiversidade.

Ela salientou que há uma concentração de comunidades indígenas nos arredores da Mina Guaíba e na região do Rio Camaquã. “No Brasil, se imagina que o RS não tenha comunidades indígenas. A gente tem que afirmar cada vez mais que tem sim”, disse. Juliana apontou que há 118 terras indígenas em 87 municípios do RS — 40 delas só em um raio de 100 km da Mina Guaíba –, 167 comunidades quilombolas em 85 municípios e mais de 40 colônias de pescadores artesanais, grande parte deles em áreas potencialmente atingíveis por projetos de mineração.

Disputa de narrativas

Última a falar no evento, Tatiana Ribeiro, professora e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais (Gepsa) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOR), abordou os impactos da mineração em Minas Gerais. De acordo com ela, há sempre uma disputa de narrativa envolvendo esse tipo de projeto. De um lado, as empresas e suas promessas de geração de emprego e de desenvolvimento, que acabam “seduzindo” muitas pessoas. E, de outro, a narrativa das pessoas atingidas, que apontam para a criação de situações de dependência econômica, de deslocamento forçado, desterritorialização, contaminação e intoxicação.

“É inevitável que haja dois lados, porque estamos falando de interesses opostos. [Sobre os desastres ambientais que ocorreram em Minas Gerais]. De um lado, a empresa sabe que tem responsabilidade civil, que deve responder pelas danos, mas quer resolver da maneira mais econômica para ela. Do outro, as comunidades atingidas querem reparação integral. Não é possível conciliar quando falamos de interesses opostos, então falamos de um campo de disputa”, disse Tatiana.

Ela ponderou que essa disputa de narrativas começa, por exemplo, quando se define se os recentes rompimentos de barragens em Minas Gerais são acidentes ou crimes ambientais. “Não é um desastre de Mariana, é um desastre da Samarco que ocorreu em Mariana e afetou toda a bacia do Rio Doce. Ele não iniciou no dia 5 de novembro de 2015, ele começou quando foi aprovada a licença para que ela fosse construída acima de uma comunidade. E ele é um desastre que continua acontecendo e ainda não foi resolvido”, afirmou.

Tatiana também destacou que, por mais que os governos, como o do Rio Grande do Sul, defendam que projetos de mineração podem realizar a extração de forma sustentável, a atividade é, por natureza, insustentável. “A mineração é uma atividade em que, se tudo der certo, vai dar ruim. Dando ruim, pode dar muito pior. Como é o caso do rompimento das duas barragens em Minas Gerais”, disse.

Ela afirmou ainda que, para além das mortes, da contaminação do solo e da água, há ainda estragos provocados pelo rompimento das barragens que sequer estão sendo contabilizados. Ela afirmou que um caso que está sendo praticamente invisibilizado é o da cidade de Barra Longa, vizinha ao município de Bento Rodrigues, um dos mais afetados pelo rompimento da barragem do Fundão, em 2015. Ali, um estudo realizado recentemente com 11 moradores constatou contaminação no sangue por metais pesados. “A gente não sabe quando a nossa Chernobyl vai ser admitida”, disse.

Para finalizar, a professora comparou a decisão de autorização de novas barragens a um quadro que viu no próprio Instituto Goethe, palco do debate, que trazia os dizeres: “Eles serravam os galhos em que estavam sentados”. “Mas o efeito vai chegar até para eles”, complementou.

 

Fuente:https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2019/08/conversas-cidadas-debate-impactos-da-mineracao-a-gente-nao-sabe-quando-a-nossa-chernobyl-vai-ser-admitida/

Brasil

La bendición y la maldición de las minas en Brasil

Más de tres meses después del desastre de Brumadinho, que causó 235 muertos, las autoridades intentan remediar la insuficiente fiscalización de la actividad minera.

Las legiones de avariciosos aventureros que se adentraron en estas tierras de Brasil en el XVIII no se pararon a pensar en que el oro no se come. Algunos murieron de hambre con pedruscos en el bolsillo. No había comida, carreteras, ni comercio. Aquella fiebre del oro sentó los cimientos de un estado que debe casi todo a las minas. Su nombre, su desarrollo, su patrimonio histórico y su economía. El verde paisaje de Minas Gerais (minas generales) está punteado por enormes brechas de ocre intenso que la minería escarba en la tierra y por descomunales depósitos para depositar los residuos que genera. El colapso de una de esas balsas en Brumadinho mató hace cien días este domingo a 235 personas. Otras 35 —también devoradas por el barro en segundos— siguen desaparecidas. Vale, la empresa propietaria de la mina y una de las mayores multinacionales brasileñas, es reincidente. La tragedia generó una gran ola de indignación ciudadana que ha derivado en algunos cambios, pero el temor a que se repita está muy presente.

La señora Maria Lourdes Anunciação, de 64 años, vive con miedo hasta el tuétano en una vivienda de ladrillo descubierto muy cerca de una balsa cuatro veces mayor que la que reventó en enero. No es la única. Nada menos que 23 depósitos de desechos rodean Congonhas, una ciudad turística de 50.000 vecinos. Solo una colina separa a los Anunciação de la más cercana. Cuentan que tras el desastre las autoridades cerraron la escuela, pero poco más. “Después de Brumadinho, no han hecho ningún simulacro. Solo la sirena, que sonó una vez. Eran casi las nueve de la mañana y casi nadie lo oyó. Sonó muy bajo”, recuerda. Las víctimas de Brumadinho tampoco la oyeron porque no sonó. “La gente tiene más miedo de las balsas ahora, pero al desempleo también”, apunta su hija Tatiane. Ellas, como tantos en la zona, tienen parientes en el sector.

Las minas son la gran fuente de empleo local. Y un potente motor de la economía nacional, tanto que la minería en Minas Gerais aporta el 8% de las exportaciones de Brasil, que aun en horas bajas es un gigante económico. Y en el sector, reina Vale. Fundada en 1942 y privatizada en 1997, es la mayor productora de mineral de hierro del mundo. Su poder es inmenso. La proclama ‘Mariana, Nunca Más’ adoptada por su presidente ejecutivo, el ahora sustituido Fabio Schvartsman, tras una tragedia escandalosamente similar en 2015 quedó sepultada bajo toneladas de hierro en Brumadinho. El desplome en la mina Mariana mató mucho menos (19 personas) pero causó el mayor desastre ecológico de Brasil.

“Si no estás a favor de Vale, eres un enemigo. Vale no dialoga, Vale manda”, sentencia el profesor Evandro Moraes de la Universidad Federal de Minas Gerais, que estudia hace décadas estas represas de desechos mineros. Insiste en que los académicos saben hace mucho que, a medida que la tierra es menos rica en minerales, aumentan los residuos. Moraes está convencido de que, sin cambios profundos, habrá nuevos desastres. “Es necesario cambiar el ciclo económico”, dice ante el desafío de gestionar cada vez más desechos. Soluciones existen, afirma. Están en estudios realizados por la universidad; y son económicamente viables, asegura. Los residuos se podrían convertir en cemento. Pero, según él, Vale no ha mostrado el más mínimo interés. “No dialoga con la academia, ni con la sociedad civil… solo el Ministerio Público logra imponerse a Vale”, apunta el profesor.

Andressa Lanchoti es la coordinadora del equipo de fiscales de Minas Gerais y de la policía federal que investiga qué ocurrió en Brumadinho. “Necesitamos un cambio de comportamiento muy importante para recuperar la confianza porque en menos de tres años hubo dos desastres implicando a la misma empresa (Vale) en dos minas que tenían certificado de estabilidad y una auditoría externa. Y ambas colapsaron. Eso supone una falta de credibilidad, no solo de Vale, sino de todo el sistema de gestión de balsas brasileño”, explica la fiscal en su despacho de Belo Horizonte. Lanchoti considera que el Estado debe asumir la fiscalización que ahora es más bien un autocontrol de las empresas. Hay 34 inspectores de balsas en todo Brasil cuando solo Minas Gerais es mayor que toda España.

Un decreto del Gobierno de Jair Bolsonaro ha ordenado desmantelar en tres años todos los depósitos mineros construidos con la técnica del montante, la más barata y peligrosa porque no tiene cimientos ni paredes, la usada en las dos balsas colapsadas. En estos cien días, el Ministerio Público ordenó a Vale paralizar ocho balsas, inspecciones independientes, que pague durante un año mil reales mensuales (226 euros) a cada uno de los 40.000 vecinos de Brumadinho, bloqueó millones en fondos de la empresa para afrontar la emergencia, reclamó que apartara a Schvartsman de la presidencia, le retiró el pasaporte…

Según la fiscal, “existen tecnologías modernas que se usan en otros estados (de Brasil) y en otros países” para gestionar desechos mineros, pero “aquí no se hacía porque no era prioridad por cuestiones económicas”.

La fiscalización es un punto débil en Brasil, como reconoció el vicepresidente, Hamilton Mourão, en una entrevista con este diario justo después de la tragedia. La Agencia de la Mineración ha inspeccionado en estos tres meses unas cien balsas, la mayoría en Minas Gerais, pero el organismo está aún elaborando sus conclusiones, según un portavoz. Esos inmensos depósitos son organismos vivos, dicen los expertos. “Son como un león en una jaula, siempre a punto de morder”, explica el profesor. Suelen colapsar porque su contenido se licua. Es un fenómeno misterioso. “Ni siquiera los científicos sabemos por qué ocurre”, afirma Moraes, un ingeniero y geólogo que en su larga carrera ha sido consultor de Vale y de otras firmas mineras. Tres de los depósitos están en un nivel de emergencia tan alto que unas mil personas, según la multinacional, han sido evacuadas. A eso se suman los daños colaterales al sustento de miles de personas de a pie.

El Ministerio Público investiga por delitos contra la vida y el medio ambiente a 26 personas, con Schvartsman a la cabeza, detuvo cautelarmente a 13 ingenieros y auditores, pero todavía no hay un informe preliminar sobre las causas de la rotura.

Wilson Moreira, 64 años, no sigue en detalle las medidas adoptadas por la fiscalía, por Vale ni las denuncias de la prensa. Lo que él sabe es que ha perdido un hijo. Cleiton Luiz tenía 29 años. “Lo encontraron el martes de Carnaval (un mes después de la tragedia). Solo me dieron una caja con una foto suya encima. Supongo que era él. No estaba permitirlo abrirla”, explica en Brumadinho este comerciante que además ha visto cómo la economía local se arruinaba y sus dos tiendas perdían clientela. “Él nunca habló de que sintiera riesgo, le gustaba el trabajo. Murió inocente”. Wilson interrumpe su relato con risas nerviosas. Está convencido de que “si el Ministerio Público funcionara, Vale estaría cerrada por seguridad”. Pero también recalca que no puede desaparecer porque es vital para que la gente se gane la vida. Quién le iba a decir en 1978, cuando conducía un camión que llevaba residuos a la balsa, que aquel lodazal crecería exponencialmente y mataría a su hijo.

La búsqueda de los desaparecidos prosigue. La bombera militar Priscila escrutaba el lodo desde una grúa esta semana en busca de cualquier resto humano u objeto. “Ayer encontramos una agenda, espero que sirva para encontrar a alguien”.

En Mariana no había sirenas. Y en Brumadinho no llegaron a sonar. “Los sistemas de alarma tienen que ser automáticos”, dice el bombero civil Pedro Cruz, de 31 años, mientras visita con su novia, Germana Souza, la iglesia de Congonhas que alberga unas famosas esculturas barrocas de Alejaidinho pagadas con el maná minero y que atraen miles de turistas a la ciudad.

Con 55.000 empleados en Brasil y una facturación de 36.500 millones de dólares (32.500 millones de euros), Vale genera muchísima riqueza. Y su poder e influencia son inmensos. Brumadinho hizo desplomarse sus acciones en Bolsa, pero ya cotizan como antes de que el tsunami de lodo se tragara a sus empleados, muchos de ellos mientras comían en la cantina. El desastre y paralización por orden judicial de tres minas implica producir 62,8 millones de toneladas menos este año, explica la compañía. Supone un 15% del mineral de hierro que produjo en 2018. Y eso tiene impacto en el mercado mundial. El mayor fondo de pensiones de Noruega, KLP, ha desinvertido en Vale con la venta de sus 10 millones de euros en acciones porque considera que el accidente supone un “riesgo inaceptable”. La caída ha elevado, según el profesor Moraes, el precio del mineral de hierro, lo que aminora las pérdidas y además otras empresas han reactivado minas que no explotaban.

El fantasma de que los responsables últimos queden impunes acecha. Basta mirar lo que ocurrió en Mariana, donde el tsunami de residuos arrasó dos ciudades y recorrió más de 600 kilómetros hasta el Atlántico, alterando las vidas de cientos de miles de personas y dañando gravemente el ecosistema. Tres años después nadie ha sido condenado. No hay fecha para el juicio y la propietaria –Samarco, de Vale y de la australiana BHP Billiton– ha pagado una ínfima parte de las multas por los daños ambientales porque las tiene recurridas. “Tras Mariana se hizo muy poco. Llevábamos tres años anunciando que habría más desastres”, dice Fabiana Alves, de Greenpeace.

Un veterano del sector minero que también ha tenido responsabilidades en políticas públicas del sector y que pide quedar en el anonimato admite que la sucesión de desastres “es absolutamente inadmisible” pero recalca que según la estadística hay unas 2 o 3 roturas al año. “Incluso Canadá, un país con un aparato legal considerado bueno, consultores óptimos y una tradición de excelencia en actividades mineras, tuvo roturas de balsas todos los años entre 2011 y 2014”. Los daños en Brasil son, sin embargo, incomparables con aquellos. Este experto opina que la legislación y la fiscalización son insuficientes para evitar accidentes. “Es fundamental tener un proyecto de alta calidad, que la construcción obedezca a las mejores prácticas de la ingeniería y sobre todo que sea operada con rigor técnico”.

Sebastião Jose do Santos, 61 años, vive en la ciudad rodeada por 23 depósitos de desechos. Este técnico de manutención en una mina cree que son seguras: “Como hijo de Congonhas y empleado de la CSN (una firma minera), tengo la convicción de que aquí no tendremos ninguna catástrofe como las de Brumadinho y Mariana”. Tras un rato de charla, asoma un punto de duda cuando dice que, “si alguna balsa se rompiera, que no se va a romper, todos vamos a sufrir”.

 

Fuente:https://elpais.com/internacional/2019/05/04/actualidad/1556925352_146651.html?rel=str_articulo#1565103941110

Brasil

Aumentan enfermedades mentales por tragedia minera en Brasil

Por la tragedia minera del 25 de enero, la ciudad de Brumadinho, en el estado brasileño de Minas Gerais (sudeste), enfrenta hoy un aumento significativo de enfermedades mentales en la población.
Un primer informe de la serie Brumadinho, en el camino del barro, realizado por Rede CBN en colaboración con portal de noticias G1, revela que en seis meses, el sistema de salud pública de esa región tuvo que contratar a 80 profesionales más para enfrentar la situación.

‘Una enfermedad mental importante está afectando a la población de la ciudad. Esto ha hecho que nuestra distribución de medicamentos como los ansiolíticos aumente en 80 por ciento y antidepresivos en 60 más’, alertó el secretario municipal de Salud, Júnio Araújo.

Afirmó que la cantidad de intentos de suicidio e inmolaciones también alcanza cifras alarmantes, que ‘necesitan tener un enfoque de tratamiento en salud mental para poder contener esta enfermedad’.

El 25 de enero los diques de contención de la represa de la mina Córrego do Feijão en Brumadinho quebraron y más de 12 millones de metros cúbicos de residuos minerales y fango arrasó con todo lo que encontró a su paso.

El alud de lodo tóxico contaminó al río Paraopeba, uno de los afluentes del Sao Francisco, que baña cinco estados y suministra agua a regiones muy desérticas y empobrecidas.

Por la catástrofe, se registran hasta ahora 248 muertos y 22 personas siguen desaparecidas.

Bajo este escenario de luto en la ciudad, afloró el proyecto Flor Amarilla, con conversaciones y conferencias, que pueden ‘mejorar la vida de las personas y desarrollar una esperanza que aún se pierde’, dijo Camila Montevechi, fundadora de la iniciativa.

Fuente:https://www.prensa-latina.cu/index.php?o=rn&id=292640&SEO=aumentan-enfermedades-mentales-por-tragedia-minera-en-brasil&fbclid=IwAR1xNxtW3_zB8J6Me-kzu3LYbwbWdltGIapaW1tzFilydlOitVrUDZkwEPw

Brasil

Seis meses de Brumadinho, un crimen sin reparación

La bocina irrumpe en la ciudad del grito sofocado. Es el ruido del tren de la empresa Vale que corta Brumadinho, en el estado de Minas Gerais. Señal de que el mineral no para, corre por las vías férreas en dirección al extranjero. Ese tren, en sentido contrario a toda una región de Brasil destruida por la minería, no guardó luto durante los últimos seis meses. Al contrario, lo que se ve, se siente y se respira en la ciudad atestigua el lamento de una madre Andreza, que perdió a su hijo: “El celo por la vida no forma parte de la minería. Donde hay minería, sólo ella sobrevive”.

El 25 de enero de 2019, alrededor de las 12h30, la Represa I de la mina Córrego do Feijão se rompió en Brumadinho. Construida por elevación – el método menos seguro y más barato –, la estructura de más de 40 años era administrada por Vale desde 2003. Se identificaron 248 muertos/as. Otros 22 cuerpos continúan enterrados bajo 12 millones de metros cúbicos de relaves de minería.

Pasados 180 días del rompimiento, las 944.000 personas afectadas, con diferentes niveles de intensidad, intentan retomar sus vidas. Viven en los 18 municipios cortados por el rio Paraopeba, por donde el lodo recorrió 305 km hasta el municipio de Felixlândia, aún el estado de Minas Gerais.Primero fue el ruido del lodo y la destrucción. Después, los helicópteros. Hoy, son las máquinas que no paran de excavar y quitan el sueño a las y los sobrevivientes.En el poblado de Córrego do Feijão, donde la sede de la mina operaba, la comerciante Sara de Souza Silva tiene la única papelería. El comercio no abre desde que la represa se rompió. Los cuadernos, mochilas y otros materiales escolares permanecen guardados, en la penumbra.

Ella lamenta que la minera no haya actuado correctamente ni para evitar la avalancha de lodo, ni para reparar los daños que causó en la localidad con cerca de 400 moradores, 27 de los cuales murieron en la tragedia.

“Es muy triste para nuestra comunidad. Son problemas de salud, psicológicos, en personas ancianas, niños con heridas en el cuerpo, por causa del lodo, del aire. Y Vale no ha hecho nada por nosotros”, relata la moradora, que tuvo un perjuicio de R$ 20.000 ( en el período de vuelta a clases.En el Parque da Cachoeira, barrio que antes era reconocido por la producción de legumbres, seis huertas fueron tragadas por el lodo. En cada una de ellas, con una media de 15 hectáreas de plantación, trabajaban cerca de 10 familias.Las hortalizas producidas en las 18 hectáreas de la propiedad de Adriana Leal abastecían comercios de la capital, Belo Horizonte, a 60 km de allí. El trabajo en la huerta, ella cuenta, era de domingo a domingo e involucraba a otras 11 familias. Todos se quedaron sin ingresos, sin tierra para plantar y sin agua para irrigar.

Quedaron las deudas de los préstamos y con los proveedores. “No tenemos ingresos para pagarlas. Hasta para recomenzar es difícil. Todo fue destruido. Nuestra tierra está totalmente cubierta. Lo que sobró de área productiva no podemos usarlo porque dependemos del agua”, explica la agricultora.

La Defensoría Pública Estadual de Minas Gerais (DPE-MG) ha prestado atención individual a las familias afectadas desde el día 28 de enero y constatado la ocurrencia de varios daños como consecuencia del rompimiento de la represa.

Además de los perjuicios a la salud mental y física, las personas que no murieron con el lodo perdieron sus viviendas u otros patrimonios. Toda la producción local de alimentos fue comprometida y nadie puede lavar su comida ni cocinar con el agua que sale del grifo.“Tenemos varias dificultades con Vale. Hay relatos de empleados muy educados, pero que no cumplen los plazos. No hay respuestas, la información es confusa. Hay relatos de violencia en las comunidades por parte de empleados de Vale. También constatamos la dificultad de acceso a los derechos ya conquistados, como el bono de emergencia. Las personas llegan a los puntos de apoyo en Vale y reciben la respuesta de que no tienen derecho, cuando si tienen”, explica la defensora Carolina Morishita.Erguida en las márgenes del rio Paraopeba, la economía de la pequeña Mario Campos también está basada en la agricultura familiar. El municipio dejó de ser un granero para la región y puede ser nunca recupere ese puesto.

“Las personas tienen miedo de comprar los alimentos del municipio. Todos creen que están siendo regados con el agua del río”, relata Andreza Rodrigues, única concejala – entre los nueve del municipio – con un familiar muerto en la tragedia.

La nostalgia aprieta al hablar de su hijo Bruno, de 26 años, uno de los trabajadores de Vale tragados por el lodo mientras almorzaba en el refectorio de la empresa. Sólo en Mario Campos, 20 personas murieron – una más que los 19 muertos después de la ruptura de la represa en Mariana, en 2015.

“Nunca recibí una llamada de Vale. Todos nuestros hijos salieron de casa saludables, con proyectos de vida. Y nadie se contactó conmigo, ni con las otras familias”, cuenta.

La concejala forma parte de la comisión de familias de los desaparecidos, grupo creado en marzo, después de una reunión convocada por el Ministerio Público del Trabajo (MPT), en la Cámara Municipal de Brumadinho. Según ella, la lucha es para que no cesen las búsquedas. “Porque el dolor es cada vez mayor. Cada día es una eternidad. Estamos muriendo un poco cada día”, se desahoga.

La comisión presiona para que se envíen más bomberos y para que el Instituto Médico Legal (IML) tenga acceso a aparatos para reconocimiento – una de las demandas esenciales es la presencia de canes en las operaciones de búsqueda.

“Hubo semanas sin ningún perro, y los perros son responsables por más del 90% del éxito de las búsquedas. Muchos se enfermaron en contacto con el lodo y no pudieron regresar. Nuestra agenda es que se compren perros donde sea, pero los perros no pueden ser un factor para la falta de éxito ni postergar el encuentro de nuestras joyas”, argumenta la concejala.

Cerca de 124 fragmentos de cadáveres están en el Instituto Médico Legal en proceso de identificación. El más reciente fue concluido el día 11 de junio, asociado a una víctima identificada en febrero. Por lo menos 30 partes de cuerpos pasaron por varios análisis de DNA sin que fuera posible finalizar el reconocimiento.

Víctimas sin reparación 

Eloá Magalhães, militante del Movimiento de Afectados por Represas (MAB por sus siglas en portugués) en la región de Brumadinho, cuenta que los trabajadores se unieron para evitar que hubiera atraso en las reparaciones, como en el crimen de Mariana (MG), en 2015.“Primero, el MAB consiguió sacar a las empresas tercerizadas de Vale del proceso de identificación de los afectados”, recuerda.El MAB consideraba que, si el levantamiento hubiera sido realizado por instituciones públicas, sin vínculo con Vale, habría mayor posibilidad de garantizar los derechos de las víctimas de la ruptura de la represa de la mina Córrego do Feijão.

“Construimos comisiones de afectados dentro de las comunidades para poder participar en las negociaciones del acuerdo preliminar con Vale junto al Ministerio Público y a la Defensoría Pública. Este esfuerzo resultó en la conquista del bono de emergencia para parte de los afectados”, completa Magalhães.

Vale dice que ha actuado con “enfocada totalmente en la reparación de daños”, con acciones que incluyen indemnizaciones, donaciones a órganos públicos y personas damnificadas, asistencia médica y psicológica, compra de medicamentos, entre otros servicios. En total, se invirtieron R$ 1.500 millones (US$ 397 millones) en servicios ambientales, materiales de salud, transporte y otros costos logísticos, según la empresa.

El 30 de abril, Vale anunció la creación de una Dirección Especial de Reparación y Desarrollo, con más de 400 empleados, para coordinar el restablecimiento socioeconómico y ambiental de los municipios afectados.

Según la DPE, 98.146 personas reciben de Vale un salario mínimo mensual. El pago está previsto en el Término de Acuerdo Preliminar (TAP), firmado entre la minera y la DPE, el 20 de febrero. El número representa menos del 10% del total de afectados, de acuerdo con el levantamiento del MAB.

Acuerdo en riesgo

Hasta el momento, se gastaron R$ 2.300 millones (US$ 609 millones) en servicios ambientales, suplementos del área de salud, transporte y otros costos logísticos. Cerca de 256 familias están alojadas en viviendas provisionales, hoteles, posadas o casas de amigos y parientes.El día 15 de julio, Vale aceptó firmar junto al MPT un acuerdo de indemnización por daños morales a las familias de 242 víctimas fatales. Padres, hijos y cónyuges de los trabajadores muertos recibirán R$ 700.000 (US$ 185.000) cada uno. Las y los hermanos tendrán derecho a R$ 150.000 (US$ 39.700).Además de esto, deberán recibir R$ 400 millones (US$ 106 millones) a título de daño moral colectivo. Con la firma del acuerdo, Vale consiguió liberar R$ 1.600 millones (423 millones dólares).de cuentas bloqueadas.

Se trata de la mayor indemnización por daño moral individual de la historia de la justicia laboral brasileña, según el procurador Geraldo Emediato de Souza.

El acuerdo, sin embargo, puede no entrar en vigor, ya que está en conflicto con la reforma laboral aprobada durante el gobierno de Michel Temer (MDB), que restringe este tipo de pago a 50 salarios mínimos (el salario mínimo son 252 dólares). El Supremo Tribunal Federal (STF) deberá deliberar sobre el tema el día 3 de octubre.

La Vale no para

Mientras tanto, en el mundo de los negocios, las actividades de Vale en Brumadinho no cesaron. Además de la mina Córrego do Feijão, desactivada luego del rompimiento de la Represa I, la empresa posee la concesión de otras cuatro reservas de minerales en la región: Jangada, Mar Azul, Capão Xavier y Capim Branco. Son 308,5 millones de toneladas de mineral de hierro, con alto grado de pureza.Solo en el primer trimestre de 2019, Vale produjo 72,87 millones de toneladas de hierro. En mayo, el valor de la tonelada del mineral alcanzó US$ 100, la mayor cotización en cinco años.La empresa es la líder mundial en la producción de mineral de hierro y de níquel. En el período entre 2008 y 2017, acumuló ganancias aproximadas de 57.000 millones de dólares, casi 220.000 millones de reales.

Casi todo mineral extraído en Brasil es para la exportación. En 2018, Vale tuvo ganancias líquidas de 25.657 millones de reales (6.789 millones de dólares), por medio de la producción de 384,6 millones de toneladas de mineral.

En que pese el esfuerzo de la empresa por expandir sus actividades en otras regiones del país, 80% de sus 133 represas de mineral de hierro están localizadas en Minas Gerais.

Otras cuatro represas de Vale en el estado ya alcanzaron el nivel máximo de peligro, con riesgo de rompimiento inminente.

Antecedentes

El inicio de las actividades en la mina Córrego do Feijão se dio en 1956, por medio de la Companhia de Mineração Ferro y Carvão. Desde 2003, es gerenciada por Vale.La represa que se rompió no recibía más relaves desde 2015. En diciembre de 2018, sin embargo, después de que Vale solicitara una licencia de operación, la Cámara de Actividad de Minería del Consejo Ambiental de Minas Gerais permitió que la empresa recuperase el mineral de hierro dispuesto entre los relaves.Con esa alternativa, las minas Jangada y Córrego do Feijão, que poseían capacidad de 10,6 millones de toneladas por año, pasaron a 17 millones de toneladas por año, reduciendo la vida útil de la represa. La idea de Vale era reminerar los relaves contenidos en la Represa I y depositar las sobras en el propio foso de la mina.

La mina Córrego do Feijão generaba 613 empleos directos y tenía otros 28 tercerizados en tres turnos diferentes, operando 24 horas al día. El flujo de lodo soterró cerca de 300 hectáreas de tierra en el valle del Córrego do Feijão.

SEGURIDAD COMPROMETIDA

La Ley Federal nº 12.334 que estableció la Política Nacional de Seguridad de Represas (PNSB por sus siglas en portugués), determinando que la Agencia Nacional de Aguas (ANA) realice anualmente un Informe de Seguridad de Represas, existe hace menos de una década.Se estima que en Brasil existen cerca de 24.000 represas – de relaves, de generación de energía y para abastecimiento de agua. De estas, apenas 4.500 están sometidas a la PNSB y apenas 3% fueron inspeccionadas.Cuando ocurrió la ruptura en Brumadinho, la agencia tenía ocho servidores para fiscalizar más de 400 represas en todo Brasil. En los últimos seis meses, el gobierno trasladó 33 empleados de otros ministerios al sector de fiscalización, pero no resolvió el déficit.

Según la Asociación Contas Abertas, que tiene acceso al Sistema Integrado de Administración Financiera del Gobierno Federal (SIAFI), el gobierno bloqueó 29% de los gastos no obligatorios de la Agencia.

En Brasil, Vale extrae mineral de hierro en tres estados: Minas Gerais, Pará y Mato Grosso do Sul. Minas Gerais corresponde al 53% de la producción.

De acuerdo con datos de la PNSB, existen 114 represas de relaves en todo el Cuadrilátero del Hierro, centro-sur de Minas, más 104 estructuras no registradas en el plan, entre diques, gaviones y represas. De este total, 70 tienen alto daño potencial en caso de que ocurra una ruptura. Además de las represas, existen 56 minas paralizadas y abandonadas en Minas Gerais.

El método de elevación aguas arriba, utilizado tanto en el reservorio I de la Mina Córrego do Feijão como en la represa de Fundão, en Mariana (MG), que se rompió en 2015, es considerado el más barato y más inseguro. Permite ampliar el dique inicial hacia arriba cuando se llena la represa, utilizando el propio relave de la minería como parte de la barrera de contención.

En el estilo convencional – o aguas abajo –, el macizo de la represa se construye en suelo compactado, independientemente del tipo de relave depositado en la misma. Las elevaciones se realizan en el sentido del flujo de agua.

En entrevista reciente con Brasil de Fato, Bruno Milanez, profesor del Departamento de Ingeniería de Producción Mecánica de la Universidad Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica lo que causa inestabilidad en el primer modelo. “A medida que la represa se va volviendo más alta, haciendo los ‘escalones’ que vemos, tiene una inclinación, subiendo sobre el relave. Llega un momento en que se hace la represa sobre el propio relave, un material que, por su contenido de agua, no es muy estable”, analiza.

El diputado federal Rogerio Correia (PT-MG), que propuso la desactivación de todas las represas construidas con el método de elevación aguas arriba en Brasil, añade que la lucha por la implementación de modelos más seguros depende de la presión en las calles: “Desgraciadamente, ya sabemos en la práctica la inviabilidad de este modelo de represa, pues es ‘seguro’ hasta que se cae, acarreando daños irreparables a la vida humana y al medio ambiente. Solamente la movilización popular será capaz de romper el bloqueo de las mineras, cuyo lobby tiene mucha influencia”.

Después del rompimiento de la represa de Fundão, Vale anunció que desactivaría todas las (19) represas de ese tipo en Minas Gerais. Sin embargo, 10 de ellas continuaron con relaves, a pesar de estar inactivas. Es el caso de la Represa I, que se rompió el 25 de enero. Según Vale, las otras nueve fueron desmanteladas.

Minas Gerais es el estado con más represas con potencial de daño considerado alto: son 132 de un total de 200 catalogadas por la Agencia Nacional de Minería (ANM). Vale y sus subsidiarias tienen 59 represas en esta categoría, incluyendo las de Brumadinho.

El reportaje entró en contacto con la minera Vale, que dijo haber presentado a las autoridades brasileñas un plan para acelerar la transformación de sus represas construidas por el método de elevación aguas arriba. “El plan presentado busca transformar las estructuras para reintegrarlas al medio ambiente. El objetivo de la empresa es que en los próximos tres años todas esas represas construidas por el método de elevación aguas arriba estén transformadas o con un nivel de seguridad adecuado, sin ofrecer ningún riesgo para las personas ni el medio ambiente”, dice la nota.

Desde la tragedia, el Congreso Nacional presentó 78 proyectos de ley para fiscalizar y castigar a las mineras que infrinjan el Código de Minería. Hasta ahora, no se concluyó el trámite de ninguno.

 

Fuente:https://www.marcha.org.ar/brasil-seis-meses-de-brumadinho-un-crimen-sin-reparacion/

Brasil

Mais de duas mil pessoas estão desalojadas em cidade baiana inundada após rompimento de barragem

Subiu para 2.080 o número de desalojados em Coronel João Sá, cidade do nordeste da Bahia que ficou inundada após o rompimento da barragem do Quati, localizada no município vizinho de Pedro Alexandre.

Os dados foram atualizados na manhã desta segunda-feira (15), pela Defesa Civil da Bahia, e também contabiliza 320 desabrigados.

Até o domingo (14), eram 1.500 desalojados e 400 desabrigados. O número de desabrigados diminuiu porque muitas pessoas foram para casas de familiares.

Já em Pedro Alexandre, a outra cidade que foi atingida pela água da barragem, 24 moradores estão desabrigados e 450 desalojados.

Parte dos 17 mil moradores de Coronel João Sá segue longe de casa. Eles foram abrigados nas escolas municipais e, por isso, as aulas na cidade seguem suspensas.

As crianças e adolescentes estão sem aulas, pois as escolas municipais estão servindo de abrigos para os desalojados. “Todo esses dias perdidos a gente vai acrescentar par janeiro», disse a diretora.

Prefeito de Coronel João Sá diz que mais de 14 mil pessoas foram afetadas pela barragem
Jornal Hoje

Uma reunião que na manhã desta segunda-feira deve definir qual será a situação dos moradores que estão nas escolas e a regularização das aulas. A prefeitura também avalia imóveis que estejam disponíveis para integrarem o aluguel social.

De acordo com o Secretário de Comunicação da prefeitura de Coronel João Sá, Waldomiro Júnior, 14.400 pessoas foram afetadas com a inundação, quase toda a população da cidade, que tem cerca de 17 mil habitantes, seja com as casas alagadas, ou com perda de eletrodomésticos.

Waldomiro Júnior destacou que além dos perecíveis, a população necessita de eletrodomésticos como fogão e geladeira. Com relação às casas, ele informou que a gestão municipal doou um terreno na cidade para a construção de novas residências.

Governo Federal reconheceu a situação de emergência e calamidade pública das cidades de Coronel João Sá e Pedro Alexandre, na última sexta-feira.

Fuente:https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/07/15/sobe-quantidade-de-desalojados-em-cidade-baiana-inundada-apos-rompimento-de-barragem.ghtml?fbclid=IwAR1SUknAyDycY0uEQXYY2Bt-0VWeUi5YL9B2iegJBptZN1CU85F-jDoab1E
Brasil

Trabalhadores afirmam em CPI que Vale fez detonações em mina no dia do rompimento da barragem em Brumadinho

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ouviu, nesta segunda-feira (24), duas testemunhas que falaram sobre a detonação de explosivos na Mina do Córrego do Feijão no mesmo dia do rompimento da barragem, em 25 de janeiro.

O depoimento dos dois foi divergente em relação aos horários desta detonação. Um dos depoentes, Eiichi Osawa, mecânico que prestava serviço pra Vale, disse que a detonação teria ocorrido a aproximadamente um quilômetro da barragem por volta das 12h20 e das 12h40. Ele disse que estava de frente para o local e que viu a detonação.

Já a segunda testemunha, Edmar de Resende que é funcionário da Vale responsável pela detonação, disse que ela só aconteceu uma hora depois do rompimento da barragem às 13h33. Disse ter sido ele próprio que decidiu executar a detonação, porque era perigoso deixar os explosivos no local.

Alguns deputados lembraram que nos laudos atestados pela Tuv Sud, empresa que emitiu o parecer de estabilidade da barragem, havia a recomendação para não fazer nenhuma detonação na área da cava. Recomendação essa que o funcionário disse não ter sido informado.

“Há constatação de equívocos e omissões cometidas pela Vale. O relatório da auditoria externa recomendava evitar trânsito pesado e detonações na mina próximo a barragem B1. Aqui hoje fica comprovado que essas detonações ocorreram durante todo o ano de 2018, quando foi feita esta recomendação, bem como nos dias que antecederam o rompimento da barragem”, afirmou o relator da CPI, deputado André Quintão (PT).

A Vale informou que as detonações são comuns e inerentes às atividades de mineração. E que no relatório Tuv Sud não existe a recomendação expressa de paralisação das operações das minas.

O funcionário da empresa Tuv Sud Denis Valentin esperado também nesta segunda-feira na CPI conseguiu um habeas corpus e não compareceu à Assembleia.

A Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão da Vale se rompeu no dia 25 de janeiro de 2019 provocando um tsunami de rejeitos de minério que matou até o momento 246 pessoas, a maioria trabalhadores da Vale e terceirizados. Vinte e quatro seguem desaparecidos. O rompimento da Vale ainda destruiu bairros de Brumadinho e atingiu o Rio Paraopeba, um dos principais mananciais de abastecimento de água da capital mineira e da Região Metropolitana.

 

Fuente:https://atingidospelavale.wordpress.com/2019/06/25/trabalhadores-afirmam-em-cpi-que-vale-fez-detonacoes-em-mina-no-dia-do-rompimento-da-barragem-em-brumadinho/?fbclid=IwAR2bLMmF368uQg6Y1I3VY1-DdSarvAY-FhPJYxJy8DaBZoqXr_Ls-kQ687A

Brasil

Barão de Cocais, el pueblo de Brasil que puede ser destruido por el colapso de una represa

La gruesa capa de barro que enterró a 270 personas en Brumadinho apenas se ha secado. Ciertamente, las cicatrices del peor desastre minero de Brasil aún están a la vista.

Sin embargo, en solo cuatro meses, otra comunidad en el estado suroriental de Minas Gerais se enfrenta a ser borrada del mapa por un torrente de desechos mineros.

Los monitores en la sede de la defensa civil, montada apresuradamente en Barão de Cocais, muestran imágenes en tiempo real de la mina afectada, Gongo Soco, y la presa asociada Sul Superior, a aproximadamente 1,5 km de ella.

Todos los ojos en la sala están fijados nerviosamente en la mina. La compañía minera Vale, propietaria del complejo, advirtió la semana pasada que el dique podría colapsar en cualquier momento de esta semana.

«El muro de la mina Gongo Soco podría romperse en cualquier momento», asegura José Ocimar, de la autoridad de defensa civil. «Eso podría crear un impacto y una vibración que podría desencadenar el colapso de la presa que está debajo».

Es una idea sombría para las comunidades que viven cerca, aunque cientos de personas en el área de impacto inmediato ya han sido evacuadas.

«No podemos estar completamente seguros de lo que sucederá, pero estamos tomando las precauciones necesarias para evitar la pérdida de vidas humanas», insiste Ocimar.

El pequeño pueblo minero de Barão de Cocais, con unos 30.000 habitantes, se encuentra en el camino del potencial alud de lodo. Esparcidos alrededor de la tranquila plaza central están los detalles que muestran que algo anda mal.

Las aceras de las calles dentro de la zona de inundación han sido pintadas de naranja. Algunas tiendas, bancos e incluso la oficina de correos llevan días cerrados, y se ha marcado una ruta de evacuación.

Es inquietante, dice Talita, una aprendiz de 21 años. «Todos están tensos, asustados. No sabemos cómo reaccionar«, explica, señalando a un grupo de compañeros de trabajo sentados en los bancos del parque.

«Es triste ver a la gente desesperada y tan insegura de todo, de cuándo colapsará o de si tendrán un hogar al que volver. Incluso si habrá agua limpia para beber».

En el peor de los casos, Barão de Cocais tendría aproximadamente una hora y 15 minutos para evacuar. En un simulacro reciente, la ciudad fue evacuada en unos 50 minutos.

Pero algunos temen que el ensayo no reflejara de forma realista el pánico que habría si la alarma los atrapa con la guardia baja. O peor aún, mientras duermen.

Tanto la mina Córrego do Feijão, donde se ubicaba Brumadinho a unos 60 kilómetros de aquí, como Gongo Soco, son propiedad de Vale, la compañía minera más grande de Brasil, que rechazó nuestra solicitud de entrevista.

La empresa ha sido tradicionalmente una fuente de trabajo en Barão de Cocais, pero la gente está enojada con lo que consideran que ha sido su implacable búsqueda de ganancias.

«Me temo que no tengo una buena impresión de Vale», dice Gilmar dos Santos, un mecánico de automóviles. «Parece que la compañía pone sus ganancias por encima de todo lo demás. Las vidas de las personas simplemente no son una prioridad».

Santos está preocupado por si su familia podría huir a toda prisa. Sus padres, ancianos, son particularmente vulnerables.

Caminamos hasta una casa cercana para visitar a su madre, Cilta Maria, mientras ella riega las orquídeas en su jardín. Aunque es una mujer vigorosa de unos 80 años, admite que le resultaría realmente difícil evacuar la casa en la que ha vivido durante 48 años.

«Estoy tratando de mantener la calma. Nos preocupamos y tenemos ansiedad, así que cada noche uno de mis hijos viene a dormir aquí. Si pasa algo, ya están aquí. Pero es difícil».

Para complicar las cosas aun más su esposo, Raimundo, sufre Alzheimer en una etapa avanzada. Se sienta sonriendo pasivamente a media distancia, sin darse cuenta del inminente desastre que amenaza a su pueblo.

A Cilta Maria le molesta tener que pasar por esto a su edad. «Nunca pensamos que esto sucedería aquí en Barão. Nos dijeron que la mina era desarrollo, progreso. Y ahora, supongo, estamos sufriendo las consecuencias».

Mientras tanto, para los familiares de las víctimas de Brumadinho, observar el desarrollo de la crisis en Gongo Soco ha causado nuevas angustias. Para ellos, es una prueba de que nada se ha aprendido de las muertes de sus seres queridos hace solo unas semanas.

La hija de Rimarque Cangussu, Marcelle Porto, trabajaba como médico en Brumadinho en ese momento y fue la primera víctima identificada formalmente. «Fue un golpe terrible y abrumador, una pérdida de la que nunca me recuperaré», dice Cangussu, ingeniero civil, y agrega que hay un patrón de negligencia.

Señala el colapso de una represa minera de Vale en Mariana en 2015, el peor desastre ambiental de Brasil; las prácticas mineras cuestionables y las malas normas de seguridad en Brumadinho; las garantías dadas por Vale, el gobierno estatal y federal de que se harían cambios para evitar que algo así volviera a pasar.

Nada de eso, dice, ha supuesto la más mínima diferencia.

«No me sorprendería si hubiera una tragedia similar en Barão de Cocais. Es una sensación de impotencia, indignación y consternación porque las cosas no funcionan como deberían».

 

Fuente:https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-48396259?fbclid=IwAR03FBzaRn2eGe7WcFBVEH9kkzWQfahHr8ildjuFrP_hb4j3p2bufUDveHk

Brasil

Yo creía en la minería hasta que vi a la Vale matar gente, matar peces, matar río

Mi nombre es Marina, yo soy de Brumadinho, vivo en Brumadinho. Soy trabajadora social, acompaño a las comunidades. Desde niña yo siempre dibujaba trenes, yo celebraba la sirena del tren: “¡mamita mira, el tren está llegando!”. Yo crecí mirando los huecos en las sierras y montañas. Miraba esos huecos, con mucha naturalidad, “mira es la minería”. Adonde yo iba, a otros lugares y otros países, siempre me presentaba con mucho orgullo: ‘Mi nombre es Marina, soy de Brumadinho, una ciudad de minería’. Yo nunca problematicé el hecho de que el tren siempre llegaba vacío a mi ciudad y salía siempre lleno, sin traer nada… sin traer nunca nada.

 

Así, con voz entrecortada, habló Marina Oliveira, pobladora de Brumadinho, y articuladora social de la Arquidiócesis de Belo Horizonte, que acompaña la vida y las luchas de las comunidades. Ella, que creía en la minería y soñaba algún día con trabajar para la empresa Vale, es ahora una de las más fervientes defensoras de las comunidades afectadas por la minería. Su mensaje remeció corazones y conciencias entre los participantes al seminario “Minería y cuidado de la Casa Común” en el que participaba Monseñor Andre-Marie Duffé, representante del Papa Francisco, desde su cargo como Secretario del Dicasterio para el Desarrollo Humano Integral en el Vaticano.

 

El día 24 de enero del 2019, me gradué en Relaciones Internacionales, en la Universidad Católica, y mi sueño era trabajar en la empresa Vale. ‘Quién sabe, yo podría ser de relaciones internacionales de la Vale’. Pero el día siguiente, el 25 de enero, yo vi a la Vale matar gente, matar peces, matar río… Y ahí, en ese momento, yo comencé a problematizar, los daños y los impactos de una minería irresponsable, que coloca el lucro por encima de la vida.

Marina Oliveira, saludó la presencia y el apoyo a las víctimas del crimen socio-ambiental en Brumadinho, de los obispos de Belo Horizonte, del Presidente de la Conferencia Nacional de Obispos (CNBB), de Frei Rodrigo Peret (Red Iglesias y Minería), del representante del Papa Francisco monseñor Bruno-Marie Duffé, de funcionarios públicos, y de todos los presentes. Pero, hizo un destaque:

Saludo a todas las personas afectadas por el crimen de la Vale en Brumadinho, que, a pesar de tanto dolor, colocaron ese dolor en el bolsillo y vinieron hasta aquí a gritar por Brumadinho, gritar por Mariana, Gritar por Barão de Cocais, Gritar por la Serra da Piedade, por todas las otras ciudades que corren el mismo riesgo que nosotros.

Junto a las familias afectadas de Brumadinho -habían llegado también al auditorio de la Universidad Católica de Minas, donde se realizó el mencionado seminario, el día 17 de mayo- representantes de los indios Pataxos, de las comunidades Quilombolas, de las pastorales sociales e inclusive autoridades públicas, religiosas y religiosos. A todas ellas llegaron las palabras y el dolor de Marina.

Son muchos dolores diferentes. Son dolores diversos, así como nuestras comunidades, los dolores que tenemos en Brumadinho. Al centro de Brumadinho, por ejemplo, el barro no llegó físicamente, a pesar de haber llegado por el río. Pero, el barro llegó a nuestros corazones, llegó a nuestras cabezas. Tenemos una ciudad llena de barro. Yo, algunas veces, no me siento bien cuando voy a la entrada, porque allí me encuentro con Arturo. Y Arturo perdió a su hermano. Cuando yo voy a la barbería me encuentro con Soninha y Soniha perdió a su hermano. La profesora Andressa perdió a Bruno, su único hijo y Jossie perdió a su hermana que estaba embarazada de cinco meses. Marina llora… A mi me gusta citar los nombres, porque son 270 víctimas.  Y, a veces parece estadística, pero no, son historias. ¿Quién nos va a devolver esas vidas?, ¿quién las regresará a la vida? ¿Cuál es el precio? A ellos les gusta poner precio a todo. Yo, quiero saber ¿cuál es el precio?

 

Nosotros tenemos el Corrego de Feijão, el lugar donde de hecho la represa de desechos tóxicos se rompió. EL local, donde el barro pasó, era un local donde teníamos vegetación, fauna, flora. Pero, además de eso que fue perdido, esta comunidad perdió también la tranquilidad. Ella, perdió lo cotidiano, su día a día. Ella perdió su modo de vida. Y ese modo de vida comenzó a ser habitado por policías, bomberos, voluntarios y, peor, por cuervos. cuervos que sobrevolaban todo el tiempo. Un día de esos, yo fui a Corrego de Feijão, y una señora me preguntó así: escucha, mi hija, yo sé que no puedo beber agua del pozo, porque el agua está contaminada. Por eso yo tomo y cocino con agua mineral.  Pero, yo no tengo agua mineral para darle a mi vaca y le doy agua del pozo. Sólo que yo estoy tomando la leche de mi vaca. ¿Estará bien, o habrá algún problema?

Yo quiero saber quién va a responder esa pregunta de esa señora. Porque yo no sé… Lo que yo sé es que, en Mariana, hasta ahora, hay personas que no saben si pueden beber agua, si pueden plantar, si pueden comer. Esa señora, no perdió a nadie de su familia, pero perdió la seguridad de las informaciones.  Ella no sabe si puede beber la leche de su vaca. El daño de la incertidumbre.

Yo quiero saber también, quien va a responder a las criaturas, a los niños que jugaban pelota con los pies descalzos en la calle. Si ellos puedes continuar jugando descalzos. Por que los camiones van por el barro contaminado y luego circulan por las calles todos los días. Y la gente sabe que es barro tóxico y entonces, ¿los niños pueden jugar bola con los pies descalzos?

En el Parque da Cachoeira, otra comunidad donde el barro tóxico llego físicamente y enterró a más de veinte casas, también hay daños que no son materiales. Todas la fotos, memorias e historias de esas familias que hoy lloran a sus seres queridos, se perdieron. Una de esas familias me dijo: Marina, si pudiese tener al menos una foto de mi hija cuando ella era pequeña…

Parque da Cachoeira, era una comunidad con agricultura. Uno de estos días, doña Elsa me llamó por teléfono y me dijo: Marina, yo estoy tan avergonzada de pedirte esto. Pero necesito una canasta básica de alimentos. Tengo tanta vergüenza de pedir esto, porque antes yo conseguía pagar todos mis gastos, pero ahora mi huerta está bajo el barro. Doña Elsa, además de haber perdido toda su agricultura, era también la dignidad. Yo sentía tanto dolor, porque ella tenía vergüenza, de pedir algo que es un derecho de ella. ¿Cuál es el precio de la dignidad? Yo quisiera saber.

Los indígenas Pataxos, el primer día del rompimiento del depósito de desechos, en que el río les trajo los peces muertos, ellos comenzaron a enterrarlos uno por uno. Sí, los enterraban uno por uno. Algunos Pataxos, desesperados querían arrojarse al río. El cacique tenía que sentarse con ellos, para explicarles lo que estaba sucediendo. Y, después cada vez que llovía algunos preguntaban, ¿será que esa lluvia ya lavó el río? ¿Ya se curó el río? Cada vez que voy allá, los pequeños me preguntan, ¿Tía, ya nos podemos bañar en el río? ¿Cuándo es que vamos a poder nadar?

Varias comunidades quilombolas de la región, quedaron aisladas. Sus caminos y carreteras desaparecieron. Ahora tienen que improvisar otros trayectos y ya tuvieron accidentes. Perdieron la libertad de ir y venir ¿Cuánto cuesta la libertad?

Son muchos los daños, que las empresas y las autoridades no quieren ver. Y que muchas veces son irreparables, causados por empresas que sólo tienen como fine el lucro y donde la vida de la gente y de las comunidades, simplemente no vale nada. Son empresas entrenadas para producir este tipo de accidentes y de crímenes, ellas tienen hasta protocolos para este tipo de desgracias. Si perdió un familiar, entonces haga esto. Si se quedó sin casa siga este procedimiento, si su terreno agrícola fue destruido, entonces, los pasos son los siguientes. Esto entonces, no es un accidente, ni mucho menos una casualidad, es algo propio del sistema, de la forma de hacer minería en nuestros países.

Ante estos gritos de dolor, pero también de esperanza, Monseñor Bruno-Marie Duffé, Secretario del Dicasterio para el Desarrollo Humano Integral, quien llegaba para visitar a las víctimas y afectados de Brumadinho, manifestó la solidaridad del Papa Francisco y toda la Iglesia: “Vamos a hacer un momento de silencio para encontrarnos de nuevo con las personas que murieron y para encontrar también a las personas que continúan combatiendo por la vida… Un silencio que nos permita reflexionar y nos de fuerza para seguir luchando por la vida. Cómo dice el Papa Francisco los gritos de la madre tierra y los gritos de los pobres son un mismo grito que clama por justicia”.

 

Fuente:https://iglesiasymineria.org/2019/05/18/yo-creia-en-la-mineria-hasta-que-vi-a-la-vale-matar-gente-matar-peces-matar-rio/

Brasil

Barão de Cocais: Movimento pelas Serras e Águas de Minas pede providências ao Ministério Público Federal

Enquanto prefeitos se mobilizam para garantir a permanência da atividade minerária em seus municípios, as populações vivem o terror gerado pelo modelo de mineração. A gravidade da situação das barragens de rejeitos em Minas Gerais não é uma preocupação recente para muitos dos ambientalistas mineiros. Diante do grave cenário vivido pela população de Barão de Cocais, em Minas Gerais, mais uma vez responsabilidade da empresa Vale, com o risco iminente da queda do talude e, com isso, o possível rompimento da barragem Sul Sudeste da mina Gongo Soco, a coordenadora do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, MovSAM, Maria Teresa Corujo solicitou providências ao Ministério Público Federal na sexta-feira, 17 de maio de 2019. No comunicado enviado ao MPF, Maria Teresa detalha as diversas tentativas de alertar quanto aos riscos vividos pelas populações relacionados às barragens de rejeitos em anos anteriores.

Em 28 de agosto de 2018, foi enviado um ofício à Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, e à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. Nele, ela fez um “apelo urgente à cúpula do MPF no sentido de reforçar a atuação desse órgão em Minas Gerais, em especial da 4ª e 6ª Câmaras, sob  risco de graves situações nas bacias dos rios São Francisco e Doce, de colapso no abastecimento de água na RMBH, Bacia do Rio Santo Antônio e Norte de Minas e de perdas irreparáveis, similares ou maiores que as oriundas do rompimento da barragem de rejeitos do Fundão em 5 de novembro de 2015.”

Alertas sem respostas

Ela conta que não obteve qualquer retorno após as denúncias e nem tomou conhecimento de qualquer ação do MPF nesse sentido. Mais de um ano antes, em 17 de março de 2017, integrantes dos movimentos ambientais já tinham se reunido com dois membros do GT Mineração do MPF a partir de requerimento para uma reunião em Belo Horizonte, mais precisamente para informar e alertar sobre a gravidade da situação da mineração em Minas Gerais, em especial em relação a barragens de rejeitos. “Após essa reunião nunca fomos informados de quais encaminhamentos foram adotados”, revela.

No dia 25 de janeiro deste ano ocorreu o rompimento em Brumadinho, na mina de responsabilidade da empresa Vale, e a ambientalista se sente perplexa por estar novamente diante de mais uma tragédia anunciada promovida pela mesma empresa. “Não há palavras suficientes para informar nesta mensagem a magnitude do sofrimento e terror dos moradores das localidades sob ameaça e da preocupação, angústia e indignação de cidadãos como eu que vêm atuando há anos em defesa de territórios frente à mineração, ainda mais diante do descompasso com a realidade e da ineficácia das autoridades que têm o dever de atuar em prol da coletividade e do meio ambiente e garantir os direitos constitucionais, entre os quais o de viver”, escreveu Maria Teresa Corujo na mensagem ao Ministério Público Federal.

Situação em Barão de Cocais

A preocupação da ambientalista está estampada nas capas de jornais dos últimos dias. De acordo com o geógrafo Rodrigo Lemos, integrante do Gabinete de Crise – Sociedade Civil, “o talude está com deslocamento expressivo e ao que tudo indica não há forma de contenção possível, ou seja, ele irá romper e cair na cava de mineração. A consequência é que a energia da queda desse volume de terra em uma cava com um acúmulo de água pode gerar uma “onda” e um impacto de energia que pode significar um forte distúrbio para a barragem que se encontra no mesmo nível, a barragem Sul Sudeste da mina Gongo Soco, e que já está comprometida”. Nesse caso, segundo Rodrigo, a contenção da barragem pode não resistir. “O rompimento do talude é iminente, mas não necessariamente o rompimento da barragem. Mas o risco é real e elevado”, avalia.

O Movimento pelas Serras e Águas de Minas, o Projeto Manuelzão, dentre outros movimentos, compõem o Gabinete de Crise – Sociedade Civil que foi criado em fevereiro de 2019 para monitorar desdobramentos e reivindicar segurança e defesa de direitos após o crime da Vale em Brumadinho.

Fuente: https://barragensalerta.wordpress.com/2019/05/18/movimento-pelas-serras-e-aguas-de-minas-pede-providencias-ao-ministerio-publico-federal/?fbclid=IwAR3z6IwyNXYryupJH2gAB9K1joBTh76ZcDXNm6lj2pB0Qpw89r-ER8wD7mI

 

 

 

Brasil

O casamento que devastou Minas Gerais

Tragédias de Mariana e Brumadinho não foram acaso. Grandes empresas de mineração financiaram políticos — de quase todos os partidos — que afrouxaram a fiscalização de barragens mineiras. Em abril de 2013, uma elegante festa de núpcias expressou esta promiscuidade.

Já é final de festa. Convidados comem docinhos – beijinho e mini mousse de maracujá – quando o pai da noiva sobe ao palco e dá uma canja acompanhado pela banda. Os políticos e empresários mais poderosos de Minas Gerais deixam as taças de lado para aplaudir o anfitrião e cantor amador, José Fernando Coura, que em abril de 2013, quando celebrou o casamento da filha Luciana, ocupava a presidência do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Coura é um defensor histórico dos interesses das mineradoras e, por isso, chamado por ambientalistas de “lobista da mineração” – rótulo que rejeita. Não há dúvida, porém, sobre as suas boas relações. Entre os mil convidados do casamento da filha, estavam o então ministro Fernando Pimentel (PT), depois eleito governador Minas Gerais, o então presidente da Vale, Murilo Ferreira e o vice-governador da época, Alberto Pinto Coelho.

Também prestigiaram o evento os presidentes da Assembleia Legislativa do Estado, Dinis Pinheiro; do Tribunal de Contas, Mauri Torres e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado.

Donos de jornais circulavam pelo salão ao lado de pelo menos 9 deputados federais e 8 deputados estaduais. Entre os 30 figurões identificados nas fotografias publicadas nas colunas sociais da imprensa mineira, estão personagens que seis anos depois seguem protagonistas, com postos chave nos governos do presidente Jair Bolsonaro e do governador Romeu Zema, como Marcos Montes, secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Adriano Magalhães, secretário adjunto do governo de Minas.

A proximidade entre empresários e servidores públicos pode ser menos inocente do que se vê em uma festa de casamento. Foi durante o governo de um dos convidados da festa, Fernando Pimentel (PT), que o estado de Minas Gerais afrouxou a política de licenciamento ambiental. A medida beneficiou a Vale no licenciamento da barragem que rompeu em Brumadinho, em 25 de janeiro, matando 233 pessoas e deixando outros 37 desaparecidos.

O processo de afrouxamento da lei começou antes, ainda em 2014, na gestão de outro convidado, o então governador Alberto Pinto Coelho (PP) quando, em uma reunião a portas fechadas, a Vale sugeriu as mudanças a serem feitas na legislação ambiental – acatadas na gestão do petista. Quem escutava as sugestões dos diretores da Vale, em clima amigável, eram servidores públicos responsáveis por fiscalizar a empresa e suas barragens, conforme revelou a Repórter Brasil.

Desde novembro de 2015, quando a barragem do Fundão rompeu em Mariana, diversas reportagens e estudos mostraram o recorrente e milionário investimento de empresas ou de executivos da mineração em campanhas políticas. Essa proximidade ficou explícita  no casamento da filha de Coura, que hoje exerce o quarto mandato à frente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e que também é vice-presidente da Federação das Indústrias de Mingas Gerais (Fiemg). Dos cerca de 25 políticos presentes à festa, pelo menos 20 tiveram campanhas financiadas por mineradoras ou siderúrgicas nas eleições de 2010 ou na seguinte ao casamento, em 2014.

O financiamento de campanha por empresas era permitido pela legislação eleitoral até 2015. Porém, escândalos e delações no escopo da operação Lava Jato revelaram conflitos de interesses nessas doações, que foram, posteriormente, consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal.

O lobby – que não é regulamentado no Brasil –, pode ser considerado uma atitude legítima, pois representa o direito da sociedade de pressionar para que os políticos atendam seus interesses. A análise é do professor professor Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, Adriano Codato. “O problema é que há uma assimetria entre os recursos que uns e outros têm para pressionar a decisão”, analisa Codato, referindo-se à falta de equilíbrio de forças. Ou seja, em uma democracia perfeita, o lobby das mineradoras deveria ter a mesma força do lobby dos ambientalistas.

Essa assimetria de forças é também criticada por Maria Tereza Corujo, do movimento SOS Serra da Piedade. “Para quem defende Minas Gerais, a proximidade de Coura com os políticos é preocupante”, afirma a ambientalista. “O lobby exercido por Coura, pela Sindiextra e pelo Ibram precisa ser investigado. Imagina o que pode estar nos bastidores disso?”, questiona Corujo, que foi a única conselheira do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) a votar, em 11 dezembro de 2018, contra a autorização para obras na barragem de Córrego do Feijão – a que rompeu em Brumadinho.

“Coura é presidente de um sindicato, e não lobista”, respondeu o Sindiextra em nota enviada à Repórter Brasil.

Noivo nomeado

Coura termina de cantar.  Enquanto uns deixam a pista, recolhem os blazers sobre as cadeiras e se preparam para ir embora, outros aplaudem embriagados – talvez pela beleza da vista de um dos espaços mais nobres de Belo Horizonte. O salão do Alta Vila fica no topo de uma torre de 101 metros de altura e proporciona visão panorâmica da capital mineira das cidades vizinhas e das montanhas do quadrilátero ferrífero.

À época do casamento, os convidados ligados ao setor tinham outro motivo para comemorar: a mineração vivia um ótimo momento. A tonelada do minério de ferro era vendida a US$ 137, valor superior aos US$ 88 atuais.

Depois de brindar no casamento e ser eleito governador, Pimentel nomeou o noivo da filha de Coura, José Guilherme Ramos, para o cargo de subsecretário de Política Mineral e Energética do Estado.

Ramos é hoje integrante do Sindiextra e, antes de atuar no governo Pimentel, era conhecido nos corredores e gabinetes da Assembleia Legislativa por defender os interesses das mineradoras.

“As contratações feitas no governo foram efetuadas pelos secretários das pastas correspondentes, que as analisaram tecnicamente”, respondeu a assessoria de imprensa de Pimentel, ao ser questionada sobre o motivo da contratação de Ramos. Já Coura, disse, em nota enviada pelo Sindiextra, que a nomeação de seu genro “ocorreu por critérios técnicos, em razão de sua especialidade”.

Menos de três meses depois do casamento, o Sindiextra pagou R$ 400 mil para uma empresa de consultoria, a OPR, que teve Pimentel como sócio até 2012. À época do pagamento, a empresa era comandada pelo principal assessor do petista, Otílio Prado. O negócio foi revelado pelo jornal O Globo, investigado pela Operação Acrônimo da Polícia Federal e é alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para Coura, “não houve ilícito algum”. Ele acredita que o caso será esclarecido na Justiça.

Na campanha eleitoral de 2014, quando foi eleito governador, a candidatura de Pimentel recebeu R$ 6,4 milhões de doações de 21 empresas mineradoras e siderúrgicas. Quase a metade desse valor (R$ 3,1 milhões) veio de empresas do grupo Vale.

Durante o governo do petista, o projeto de lei 2.946 de autoria do executivo e sancionado em janeiro de 2016 é apontado por ambientalistas como responsável por flexibilizar a fiscalização ambiental. O projeto entrou em vigor três meses após o desastre de Mariana, que matou 19 pessoas e destruiu o ecossistema da bacia do Rio Doce.

A lei gerou uma série de alterações que possibilitou a entrada de um representante do Sindiextra e outro do Ibram como representantes da sociedade civil na Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). “Basta assistir a uma das reuniões do conselho  para observar que os interesses deles (Sindiextra e Ibram) são pelo lucro a qualquer custo”, afirma o diretor de meio ambiente e saúde da União de Associações Comunitárias de Congonhas, Sandoval de Souza Pinto Filho.

Passados três meses do rompimento da barragem de Córrego do Feijão da Vale os bombeiros seguem buscando 37 desaparecidos. Até o momento, são 233 mortos (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

Outra mudança ocorrida no Estado foi a deliberação normativa  217 que passou a permitir, em alguns casos, rebaixar o potencial de risco das barragens, o que pode simplificar o processo de licenciamento para apenas uma etapa.

Questionado se a Vale exerceu algum tipo de pressão para alterar a legislação de segurança de barragens, a assessoria de Pimentel respondeu, em nota: “As doações recebidas pela campanha eleitoral mencionada já foram aprovadas pela Justiça, que atestou sua lisura. É falso e ofensivo relacioná-las a medidas adotadas pelo Governo de Minas Gerais”.

A assessoria do ex-governador afirmou que “em nenhum momento, as medidas adotadas previram a concessão indiscriminada de licenças”. O objetivo, segundo Pimentel, foi “modernizar a avaliação de pedidos de licenciamento ambiental”, pois havia uma demanda acumulada em janeiro de 2015, no início do governo, de quase 3 mil processos sem avaliação. Leia a resposta na íntegra.

Suprapartidário

“Comparecer a eventos sociais é parte do dia-a-dia da política. Tanto que outros candidatos à eleição em 2014, inclusive adversários, estiveram na mesma cerimônia”, disse Pimentel ao ser perguntado sobre sua relação com Coura. Entre os adversários do petista na mesma festa estava o vice-governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), que assumiu o poder quando Antonio Anastasia (PSDB) se afastou para candidatar ao Senado.

Em 2010, Pinto Coelho recebeu doações de R$ 2,2 milhões de seis empresas siderúrgicas e mineradoras. Foi no período que Pinto Coelho governava, em outubro de 2014, que diretores da Vale se reuniram a portas fechadas com servidores do governo de Minas Gerais para discutir regras para simplificar e acelerar o licenciamento ambiental no Estado, conforme revelaram áudios e documentos obtidos com exclusividade pela Repórter Brasil. Procurado, Pinto Coelho não respondeu às perguntas enviadas.

Do mesmo grupo político de Pinto Coelho, o então presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Dinis Pinheiro (Solidariedade) foi um dos padrinhos do casal. No ano seguinte, Pinheiro foi candidato à vice-governador na chapa encabeçada por Pimenta da Veiga (PSDB). A candidatura deles recebeu R$ 3 milhões em doações de 12 mineradoras e siderúrgicas.

O coordenador político da campanha era Danilo de Castro, homem forte dos governos de Aécio Neves e Anastasia, quando ocupou a secretaria de governo em ambas gestões. O filho de Danilo, Rodrigo de Castro, é deputado federal desde 2007. Na eleição de 2014, Rodrigo recebeu R$ 850 mil doados por mineradoras e siderúrgicas. Tanto Danilo de Castro quanto Dinis Pinheiro não responderam às questões enviadas pela reportagem.

Danilo de Castro está ao lado do hoje senador Carlos Viana (PSD) em uma das fotos da festa. Em seu primeiro mandato, o senador conquistou a relatoria da CPI de Brumadinho. A comissão quer apurar as causas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho.

Vídeo produzido pela Repórter Brasil e publicado um mês depois da tragédia mostra o drama das vítimas e a relação conflituosa com a Vale

Na campanha, o senador recebeu doação de R$ 100 mil de Luis Fernando Franceschini da Rosa, advogado e sócio investidor de empresas de mineração. Questionado se a doação eleitoral pode comprometer seu trabalho na CPI, Viana respondeu que não. “Eu sei que é comum políticos se posicionarem de acordo com interesses momentâneos, mas comigo nunca foi e nunca será assim. Nunca estive com o Franceschini. A doação veio por pessoas ligadas ao meu ex-partido, PHS”.

Outros dois políticos que ocuparam cargos de destaque em comissões do congresso voltadas à mineração e que compareceram à festa de casamento foram o ex-deputado Gabriel Guimarães (PT), atualmente diretor do Atlético-MG e Marcos Montes (PSD), secretário-executivo do ministério da Agricultura.

Guimarães e Montes foram presidente e vice, respectivamente, da Comissão Especial sobre o Código da Mineração. Na campanha de 2014, R$ 273 mil foram doados por empresas ligadas à mineração e siderurgia para a campanha do petista. Já a candidatura de Montes arrecadou cerca de R$ 487 mil de empresas do setor.

Guimarães disse que o convite para a festa se deve a relação de amizade que tem com os noivos e não apenas com Fernando Coura. “Só fui porque fui convidado. Não costumo ir a lugar nenhum que não sou convidado”, respondeu. Explicou que manteve contato com os setores produtivos, incluindo as empresas que doaram para sua campanha, mas que elas não tiveram influência em sua atuação parlamentar. “Isso seria crime. Eu sou advogado e sei os limites da atuação”, afirmou.  Procurado, Marcos Montes não respondeu ao pedido de entrevista.

Assim como Montes, o ex-secretário de Meio Ambiente, Adriano Magalhães, é outro que participou da festa e segue no poder. Magalhães foi nomeado pelo governador Romeu Zema para secretário adjunto da secretaria de Desenvolvimento Econômico. Um ano depois do casamento, em abril de 2014, Magalhães foi exonerado do cargo que ocupava, como secretário de Meio Ambiente no governo Anastasia. Ele é réu por prevaricação, acusado de ocultar autos de fiscalização e infração emitidos contra a mineradora MMX, de Eike Batista, de acordo com denúncia do Ministério Público. Procurado, Magalhães não respondeu às perguntas enviadas.

O prefeito de Nova Lima, Vitor Penido, pela sexta vez no comando da cidade foi outro convidado para festa que segue no poder. “Eu sou o maior defensor de mineradora do Brasil e o mais antipatizado entre ambientalistas”, afirma o prefeito, que é fundador e atual presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG).

Penido é um velho conhecido de Coura e diz que nunca foi procurado por ele para “pedir nada que não fosse correto”. Além disso, o prefeito entende que Coura exerce o papel de líder das mineradoras e tem que brigar por elas. Na campanha de 2014, quando foi candidato à deputado federal, Penido recebeu R$ 325 mil de empresas do setor minerário.

Alarme falso

A cidade governada por Penido teve 170 pessoas desalojadas, em fevereiro, devido ao aumento do risco de rompimento das barragens da mina Mar Azul, da Vale. A retirada de moradores das casas localizadas em áreas de risco se tornaram uma constante em Minas desde o rompimento da barragem da Vale.

Em março, em outra cidade mineira, São Gonçalo do Rio Abaixo, uma sirene acabou com a festa de casamento da estudante de educação física, Ananeria Toceda da Cruz, de 24 anos com o eletricista Breno Lucas da Cruz, de 37 anos. “Foi uma confusão tremenda. Todo mundo saiu correndo. Ninguém quis esperar para ver se era verdade ou não”, conta a noiva.

Os 150 convidados deixaram o local desesperados. Uma mulher que carregava uma criança no colo caiu e quase foi atropelada na confusão. “Quando soube que era alarme falso, tive uma sensação de alívio. Mas depois que passa o susto fica uma frustração, um vazio”, recorda.

A Vale atribuiu o disparo da sirene a um erro técnico. A festa foi encerrada antes das fotos oficiais, dos noivos partirem o bolo e, ao menos, provarem os docinhos. “Não comi o mousse de limão nem o bombom de coco”, lamenta a noiva.

Fuente: https://outraspalavras.net/outrasmidias/o-baile-da-lama/?fbclid=IwAR2AxLAEzBpa0uP3egO9GX9qCzRdwGtBVsv3K597rY6uTqIGgLJnJjvKF_o